Fístula perianal em Crohn: quando considerar o uso de células-tronco mesenquimais?
Equipe One STEPEquipe One STEP
Coloproctologia

Fístula perianal em Crohn: quando considerar o uso de células-tronco mesenquimais?

Qual o cenário atual da fístula perianal em Crohn?


Estima-se que aproximadamente um em cada quatro pacientes com doença de Crohn desenvolva alguma forma de fístula perianal durante a vida. Em muitos casos, essas lesões são consideradas complexas e estão associadas a dor, drenagem persistente, abscessos recorrentes e diversas intervenções cirúrgicas.
Apesar da combinação entre drenagem cirúrgica, seton e terapia biológica apresentar bons resultados, parte dos pacientes não alcança remissão sustentada. Segundo o estudo Adipose-Derived Stem Cells in the Treatment of Perianal Fistulas in Crohn’s Disease: Rationale, Clinical Results and Perspectives, cerca de 20% a 25% dos casos permanecem refratários mesmo após tratamento otimizado.
Para esses pacientes, torna-se indispensável considerar estratégias que promovam controle inflamatório e reparo tecidual sem aumentar o risco de dano esfincteriano ou incontinência.

➡︎ Leia também “Células-tronco na coloproctologia: novas perspectivas no tratamento de doenças perianais”

Como as células-tronco mesenquimais atuam?


As células-tronco mesenquimais apresentam propriedades imunomoduladoras e regenerativas que despertaram grande interesse no manejo da fístula perianal em Crohn. De acordo com a revisão Current Overview on the Use of Mesenchymal Stem Cells for Perianal Fistula Treatment in Patients with Crohn’s Disease, essas células são capazes de migrar para áreas inflamadas, modular a resposta imunológica local e estimular processos de cicatrização.
Além disso, estudos demonstram que elas favorecem:
  • Redução da inflamação persistente;
  • Estímulo à neovascularização;
  • Regeneração dos tecidos lesionados;
  • Modulação da atividade de células inflamatórias;
  • Fechamento e manutenção da cicatrização das fístulas.

Tais mecanismos ajudam a explicar por que a terapia celular vem sendo considerada uma abordagem complementar particularmente interessante para doenças perianais complexas.

➡︎ Entenda: Procedimentos com One STEP® estão no Rol da ANS?

Quais evidências sustentam o uso dessa terapia?


O estudo ADMIRE-CD, considerado o maior ensaio clínico já realizado nessa área, avaliou pacientes com fístula perianal em Crohn complexa e refratária ao tratamento tradicional. Os resultados demonstraram taxas superiores de remissão clínica e radiológica nos pacientes tratados com células-tronco mesenquimais quando comparados ao grupo de controle.
Os benefícios também foram observados em revisões sistemáticas recentes. A meta-análise Efficacy of mesenchymal stem cell-based therapies in the treatment of perianal fistulizing Crohn’s disease avaliou 25 estudos e 596 pacientes, concluindo que as terapias baseadas em células-tronco são eficazes para alcançar remissão combinada em fístulas complexas relacionadas ao Crohn, com melhores resultados observados por volta dos seis meses após o tratamento.
Outro ponto relevante é o perfil de segurança. As evidências disponíveis mostram baixa incidência de eventos adversos diretamente relacionados às células.

Quando considerar essa abordagem?


Atualmente, o principal cenário para indicação envolve pacientes com fístula perianal em Crohn complexa que apresentam resposta insuficiente após o manejo cirúrgico adequado associado às terapias convencionais e biológicas.
Vale destacar que as células-tronco não substituem o tratamento cirúrgico. Pelo contrário, sua utilização costuma fazer parte de uma estratégia multidisciplinar cuidadosamente planejada.
Na experiência da coloproctologista Dra. Mariama Barroso, que já adota a técnica One STEP®, a terapia celular tem papel importante como adjuvante:


A gente sabe que a terapia de célula-tronco não é uma terapia única. Ela é uma ótima ferramenta para a gente usar de forma adjuvante e ter uma melhora da cicatrização e da resposta final do nosso paciente.


A médica ainda destaca a importância da regeneração tecidual promovida pela terapia:


Ela faz uma ação importante na parte periférica como uma célula sinalizadora, melhorando a neovascularização e a biossubstituição de tecidos, fazendo uma regeneração, não só uma cicatrização.


Inclusive, à medida que novas pesquisas reforçam o papel das células-tronco no tratamento da fístula perianal em Crohn, muitos médicos têm incorporado essa abordagem aos seus quadros.

Se você deseja aprofundar seu conhecimento sobre a One STEP® e entender como se tornar habilitado(a) para sua aplicação, acesse a página “Seja um médico parceiro” e descubra qual o primeiro passo para utilizar a medicina regenerativa como aliada no tratamento de fístula perianal em Crohn!

Tópicos

fístula perianal em crohn; doença de crohn; coloproctologia; one step; doenças perianais; células-tronco